A importância da escolha: Saudades, amores!
Dia 27 de setembro de 2009 foi um domingo, eu fui acordada com uma gaiola esquisita, com fundo verde, com duas calopsitas mais esquisitas ainda. Eram pérolas, mutação que eu deixei claro achar terrivelmente feia! Mas mesmo assim meu pai comprou um casal para o meu aniversário, que é dia 8 de outubro. Muito antes do meu aniversário eu já estava perdidamente apaixonada pelos meus pequenos. Ainda achava os lutinos os mais lindos, mas esses eram meus amores! Acordava olhando pra eles, esperando para ver se comiam, se brincavam, se bebiam, se se divertiam…
Em muito pouco tempo consegui conquistar a confiança de quem tinha me furado numa bicada de medo no segundo dia aqui em casa. Eram, à essa altura, o casal Floquinho e Princesa.

Comecei me aproximando da gaiola, no segundo dia cortamos as asas, com muito cuidado, para que pudessem ficar soltos, já que no primeiro dia voaram até o teto e, se meu quarto não estivesse fechado, ou se minha janela desse para a rua, com certeza os teria perdido.
Logo comecei a oferecer comida fora da gaiola, colocando minha mão no chão, por lonnnnngos minutos, estática! Esperando que se aproximassem. Nem sei descrever a sensação de quando o Floquinho apoiou sua patinha pela primeira vez no meu dedo para se aproximar mais da comida. Foi uma verdadeira vitória! Logo os dois estavam comendo na minha mão, com medo, mas comiam!

Cerca de duas semanas depois reparei que eram muito paradinhos, mas mais que isso, reparei que o Floquinho tinha fezes presas na cloaca, limpei e mais alguns dias se passaram até que mais fezes apareceram presas. Liguei para minha amiga veterinária, que já cuidava do Bê, ela veio vê-los. Floquinho estava muito fraquinho, muito, muito magro. Visualmente ela me garantiu ser coccidiose, mesmo sem ver ao microscópio e me indicou como tratar.

Comecei o tratamento, rigorosamente, para não dizer religiosamente, mas meu Floquinho me deixou dia 29 de outubro, uma noite de quinta-feira que durou até o sábado, já que não conseguia dormir, só chorar… Depois disso meu pai decidiu consultar a Princesa com um novo veterinário, indicado por uma mulher que trabalha com ele. Levamos e dessa vez com exame, foi mesmo constatado a coccidiose. Iniciamos o tratamento indicado por esse veterinário e tudo acabou bem para minha Princesinha.

Onde o Floquinho ia, a Princesa ia atrás. Se ele dormia, exausto pela doença, ela ficava parada do ladinho dele, sem dormir, só cuidando. Quando ficamos só nós duas, nasceu uma nova ninhada de irmãos do Bê, acabei ganhando o Will, que seria dalí em diante seu companheirinho.
Viviamos juntando todos, Bê, Lica, Princesa e Will. Todos brincavam felizes, sempre! Mesmo antes da chegada do Will, eram felizes, mas a Princesa acabava sendo excluída e aquilo acabava comigo, porque eu a via buscando interação, daí a decisão por arrumar um novo companheiro para ela, ela mais que merecia depois do que tinha passado.
Depois, já em janeiro, mais três bebês (irmãos do Bê e do Will) se juntaram à turma! Um deles acabou morrendo, ainda neném, foi muito sofrido, mas seus irmãos ficaram para diminuir nossa dor com suas alegrias, são eles Peach e Pichu.

Logo que a Princesa conheceu a Peach, começou a cortejá-la, rapidamente tentando acasalar! Foi então que minha Princesa virou príncipe, um príncipe gordinho que ao pular do poleiro no fundo da gaiola, fazia todos tremerem. Foi então que a Princesa virou Chumbinho!

Sábado passado, dia 4 de junho, a Peach ficou doente, da noite pro dia, muito doente! Sem comer, sem brincar, sem piar, nada! E começou meu desespero! Domingo, dia 5, foi a vez do meu Chumbinho chegar doente, não tão mal quanto a Peach, mas nitidamente magro! Que susto foi!
Eles estavam com meus pais, pois eu estava cuidando do Will que tinha fraturado um dedinho lá na casa dos meus pais.
Quando chegaram aqui, senti aquela dor no peito, corri pra cozinha, fiz papinha, demos água no biquinho e começamos a torcer, pois o veterinário só viria na segunda.
Segunda soubemos que estavam com candidíase, as fezes foram para exame e a coccidiose foi constatada, além de uma enterite. Além disso, uma suspeita de clamidiose (que ainda está sendo examinada pela unigen). Desespero instalado, medo, pavor, mas muita esperança e dedicação.
Dia 08 a Peach começou a melhorar, o Chumbinho só piorava, começou a ter diarréia, fezes presas na cloaca…
Dia 10, bem cedinho quando acordei para dar o soro à eles, meu Chumbinho chorava num gemidinho sofrido e eu sabia que precisaríamos de um milagre. Dei o soro, alimentei, fiz um carinho e prometi que logo aquele sofrimento acabaria e então os deixei descansando…
Quando voltei para dar o remédio, 9am, meu Chumbinho já havia me deixado, meu grande amorzinho, meu mais feliz amigo, meu mais admirável companheirinho… Era outra quinta-feira sofrida, outro dia sofrido, mas não mais do que os anteriores, onde o via sofrer e por mais que agisse e fizesse tudo certinho, ele não estava feliz, ele estava sofrendo demais, eu podia sentir. Só eu sei que essa dor nunca vai passar, mas sei também que vê-lo sofrer era a última coisa que eu aceitaria. Era, simplesmente, injusto.

Ele era o companheiro do Floquinho quando ele ficou doente. Era o companheiro do Bê quando ele ficou doente. Foi o companheiro da Peach até o final… Ensinou ao Will como trocar carinhos, como tomar banho na banheira… E foi feliz, muito feliz! E me fez mais feliz a cada dia que estivemos juntos. Eram muitos sorrisos arrancados, mesmo nas horas mais difíceis.
Esse post é, ao mesmo tempo, uma homenagem aos meus pequenos amores e um alerta para quem pensar em comprar uma calopsita e acabar passando aqui. Não comprem seus futuros amores se não tiverem absoluta certeza que foram filhotes felizes e saudáveis. Floquinho e Chumbinho foram comprados em uma feira na Tijuca, RJ. Em uma mulher que você olha e diz “essa mulher tem cara de que não presta!!!”, mas mesmo eu já tendo dito isso ao meu pai, na pressa de achar esse super presente que eu tanto queria, ele acabou comprando.
É lógico que me arrependo, pelo triste fim que tudo teve, mas ao mesmo tempo, agradeço todos os dias pela chance de ter tido meu Chumbinho ao meu lado por esses 7 meses, já que nos últimos dois estivemos separados…
Queria muito meu bebê de volta, mas não posso fazer mais nada a não ser contar essa história para que outras pessoas possam ter histórias mais felizes e não passem os dias chorando e sofrendo por essa dolorosa separação…
Escolham bem suas aves, não sejam levados pelo instinto. A saúde de uma ave, frágil por natureza, será a maior garantia de felicidade e tranquilidade, para você e para ela. Cuidado com vendas assim, em praças, todas as aves merecem um lar, ainda mais porque assim podem se livrar de pessoas, que assim como essa, as criam sem condições para terem uma vida saudável, sem alimentação, sem amor, apenas visando o lucro. Podem ser momentos incríveis, mas essa dor é imensa, quase insuportável e chega muito de repente, muito antes de pensarmos em nos prepararmos para ela.
Em meio à muito choro e lembranças, acho melhor parar.
Muita saúde e paz para todos os bichinhos desse mundo, esse, sem dúvida, é meu maior desejo!


