Pare tudo e vá ser feliz!

Eu sou dessas pessoas que sentem tudo em excesso a ponto de sofrer com burnouts e se desligar da realidade. Mas mesmo que eu demore e aguente mais que o considerado “normal”, mesmo que chegue a enfrentar depressão e momentos bastante difíceis, sempre acabo conseguindo tirar boas lições das situações.

Infelizmente nem sempre lembro delas antes de errar de novo e por isso há um tempo tive a ideia de começar um livro–diário onde escreveria as lições que aprendi, buscando um olhar positivo para as dificuldades e problemas que enfrentei e quais pensamentos me ajudaram a superar. E eu deveria mesmo ter feito isso na época, talvez não tivesse perdido mais alguns anos. Sim, anos…

Não posso dizer que eu tenho uma vida problemática, triste, sofrida, nada disso! Mas infelizmente mesmo a gente tendo muito, muitas vezes se apega ao pouco que não tem, às decepções, dificuldades, às dores causadas por outros e não à alegria de todo o resto que temos e somos. E muitas vezes isso nos derruba e a gente não sabe muito bem como voltar…

Um dia desses, destralhando o armário – e a vida, vendo coisas do passado eu reli uma cartinha que tinha escrito há anos e que nunca cheguei a entregar, eu percebi que sempre que vejo algo que fez parte de alguma situação ou momento que parecia importar muito e hoje eu nem saberia se não me deparasse com aquilo, que parece ser muito mais intenso por ser a realidade do momento.
E nessas pequenas coisas eu tenho um lembrete de como eu sou a mesma que sempre fui. De como toda a vida fui coerente e fica mais fácil olhar objetivamente e enfrentar as dificuldades. Claro que não fica fácil, não funciona o tempo todo e não é permanente, mas ajuda muito quando vejo que em momentos semelhantes eu consegui deixar passar e superei, que de fato não importa, não causa incomodo nem dói mais. Eu pude perceber como a forma como lidei com algo no passado pode ser muito mais saudável do que a forma como estou lidando no presente e isso merece ser considerado!

Em teoria a maturidade facilita algumas questões que na prática não funcionam bem assim. Muitas vezes esse amadurecimento traz também uma supervalorização e apego justamente por saber identificar as coisas mais facilmente, por já ter cultivado algo por muito tempo e por saber que as perdas são definitivas, que poucas coisas têm volta, mas infelizmente nem todos com quem nos relacionamos têm os mesmos valores nem a mesma maturidade. E nisso mora uma estranha contradição: Mesmo que múltiplas vezes tudo que foi recebido tenha sido o oposto a algo que merecesse ser valorizado, por saber melhor, continuo valorizando… E é nisso que a gente começa a se afundar…

Mas o tempo passa e independentemente do quanto algo valha pra gente, chega um momento em que a gente olha para a coisa e nem sabe mais identificar porque vale, pois nada do que existia continua existindo. Onde a sensação é que tudo que era percebido era um grande espetáculo. – Aliás, vale a referência à sociedade do espetáculo, porque isso serve pra todas as relações humanas e como hoje as pessoas amam os bens e usam uns aos outros…
Chegando ao ponto em que aquilo só te faz sentir mal sobre a situação, sobre o mundo, sobre a vida, sobre todos e tudo e, especialmente, sobre você mesmo. Só drena energia, o que é mais grave ainda quando você já está trabalhando com níveis baixíssimos. Só te faz pensar coisas ruins, negativas e isso só atrai e faz brotar internamente mais coisas ruins e negativas. E isso se perpetua e te faz cada vez mais doente. E esse é o momento em que, pra mim, a ruptura passa a ser a única solução.

Dói? Dói… Dói muito! E vai continuar doendo…
Como eu disse, não é simples pra mim. Eu tento por muito tempo corrigir, melhorar, consertar. Mais que isso, acreditar que o outro é de fato alguém digno, alguém real. Mas a verdade é que acreditar no que se vê é muito mais importante do que acreditar naquilo que a gente mais deseja.

E apesar da demora, essas são as lições dessa vez:

  1. Quando alguém te disser ser ruim em algo ou uma pessoa ruim, acredite. Mesmo que pra você pareça ser o extremo oposto, provavelmente ela se conhece melhor do que você jamais a conhecerá.
  2. É preciso parar de se esforçar e acreditar no que não depende de nós, do que sentimos ou queremos..
  3. Se fomos capazes de superar a primeira vez em que enfrentamos uma situação assim, não existe razão real para não superar novamente. – Especialmente quando tudo que o outro faz só mostra o quanto isso deveria ser uma escolha fácil.
  4. As ações e falta delas importam e dizem muito mais do que qualquer coisa dita.
  5. A certeza da felicidade precisa abrir espaço pra realidade apresentada.
  6. Relacionamentos não funcionam quando só um sente e se compromete a fazer dar certo.
  7. Não adianta se apegar ao que existia ou pode existir, só o presente é real.

Infelizmente, não importa o quanto foi dito nem o que foi dito, prometido, vivido, o tempo, amizade, os sonhos e planos… Não importa tudo o que parecia ser verdade. O que importa é o presente e, se alguém decide te virar as costas, te tirar da vida, te substituir deixando claro que você, nem ninguém importa além dele e dos quereres dele mesmo, que você, hoje, não passa de um incômodo. Não tem motivo para esse alguém ter valor.

Não se importe e não se abale, o problema não é você! Você ainda pode se olhar no espelho ou deitar a noite com a consciência tranquila. E para cada passo que o outro der pra longe de ti, dê dois – Abra um sorriso pro mundo e vá ser feliz! ♥

Balzaquiana

Hoje o dia começou diferente.

Acordei bem cedo, por volta de 6:30am, madrugada! Arrumei a cama – bem mais ou menos, para ser sincera. Trabalhei em um projeto que demandou muito mais tempo do que o esperado enquanto aguardava um outro projeto que estava para acontecer. Enviei o primeiro projeto. Assisti à uma palestra online, respondi aos emails, trabalhei no segundo projeto, almocei e então, de repente os 30 me atingiram! À 1:30pm eu me tornei uma trintona!

Ainda me soa um tanto surreal já ter atingido essa idade, porque é bem assustador quando penso no que eu tinha em mente para os meus 30 e o que existe de fato.

Felizmente estou em um momento incrível da vida, onde tudo está dando certo, mas, ao mesmo tempo, existe um relóginho – ok, uma bomba relógio – que me alerta sobre vários fatos e, nem sobre todos eu posso ter o controle da situação, o que faz essa bomba, não ser apenas uma bomba… Algo mais próximo de uma ogiva nuclear.

Casa, finanças, economias, família criada, com filhos, cachorros, gatos, papagaios *calopsitas – cough-cough*, sucesso, prosperidade, bens, saber dirigir e não só ter a habilitação, milhares de livros como repertório – e filmes. E viagens! Viver em outro lugar! Idiomas, culturas, hitórias… UFA! E, por que não, dezenas de jogos zerados?!
Tantos objetivos, vontades, metas, coisas que tinha certeza que teria atingido aos 30, mas, na verdade, sequer começaram… Ruim? Um pouco… Mas então pensei melhor!

Ainda tenho meus avós paternos, com quem moro desde uns 3 anos de idade, estão saudáveis, rabugentos, mas bem! Tenho uma família que se preocupa muito comigo e que sei que sempre estarão lá – como pretendo estar por eles. Tenho um irmão-filho, que nasceu 14 anos depois de mim e me faz perceber que, embora mais madura e sabida, nunca, nunquinha, vou deixar de ser quem sempre fui! Poucos amigos, mas amigos-amigos, amigos-irmãos!

Há um ano, precisamente 14 meses agora que já é dia 09, estou namorando alguém que conheço desde a adolescência. Embora o contato nem sempre tenha sido intenso, sempre tivemos carinho, respeito, saudades e vontades de estarmos e sermos mais próximos – e agora que somos, o pobrezinho quer correr!
E nesse relacionamento de muitos altos e baixos – como sou parte da cena, altos muito altos e baixos muito baixos – me sinto em uma fase maravilhosa, onde só consigo ver coisas boas no presente e no futuro! Momentos difíceis vão acontecer, fato! Mas uma vez que você aceita o fato, passam a não ser difíceis, só demandam um pensamento aprofundado da situação e soluções!

Esse ano trabalhei fora e, apesar de não ter dado certo, foi uma experiência fantástica, pois me deu a certeza de estar trilhando o caminho certo trabalhando de forma independente – control freak mode on. E, de volta a trabalhar de forma independente, com mil projetos em mente, alguns acontecendo, uns começando, outros evoluindo… Eu me sinto inteiramente feliz! Cansada, mas muito, muito realizada e cheia de certezas!

Voltando ao título…
“Como você se sente como uma balzaquiana?” – Minha tia/madrinha perguntou.
E embora conhecesse o termo, nunca soube o significado, mas posso garantir que sinto que apesar da vida não estar no ponto que eu imaginava quando tinha 15 anos, digo:

— Me sinto a mais nova e feliz balzaquiana!

Life goes on!

E como dizia o antigo título do meu blog, a vida continuou!
Infelizmente nesse processo eu perdi o hábito de escrever em um blog, ou mesmo de acompanhar os que tanto gosto!
Mantive o hábito – ou vício – em internet e de escrever, mas a verdade é que há algum tempo voltei a me apaixonar por blogs e, ao revisitar antigos blogs e blogueiros que seguia e com os quais mantinha contato, ao conhecer novos blogs, profissionais e pessoais, sobre feminices ou sobre áreas do meu interesse, esse bichinho da saudade começou a me incomodar. Incomodou tanto até que finalmente resolvi que era hora de voltar a ter um blog! Ainda estou pensando se vale a pena resgatar o histórico, mas por enquanto acho que o ideal é começar a escrever num caderno novo, com cheirinho de nova fase!

Bem-vindos!